terça-feira, 17 de maio de 2011

Continuando...

TENHO SAUDADES!
TENHO MUITAS SAUDADES!



Que hei de fazer?


João

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Sonhando mais um sonho

Sonhando mais um sonho é o nosso novo blog.

Direccionado especificamente para a concretização de mais um sonho


Bem vindos ao
http://MatolaDream.blogspot.com


Estamos juntos

terça-feira, 8 de março de 2011

E esta hein???

Porque hoje é o dia de todas as mulheres que conheço, conheci e algum dia conhecerei!



Dia da Mulher
Día Internacional de la Mujer - Barcelona 2009 - 004.jpg
Manifestação no Dia Internacional da Mulher em Barcelona, 2009.
Também chamado por Dia da Mulher
Tipo Internacional
Seguido por África do Sul, Albânia, Argélia, Argentina, Arménia, Azerbaijão, Bangladesh, Bielorrússia, Butão, Bósnia e Herzegovina, Brasil, Bulgária, Burkina Faso, Cambodja, Camarões, Chile, China, Colômbia, Croácia, Cuba, Chipre, Equador, Eslováquia, Eslovénia, Espanha, Estónia, Dinamarca, Finlândia, Geórgia, Grécia, Hungria, Ilha de Formosa, Índia, Itália, Islândia, Israel, Laos, Letónia, Lituânia, Cazaquistão, Kosovo, Quirguistão, Macedónia, Malta, México, Moldávia, Mongólia, Montenegro, Nepal, Noruega, Polónia, Portugal, Roménia, Rússia, Sérvia, Suécia, Síria, Tadjiquistão, Turquia, Turquemenistão, Ucrânia, Uzbequistão, Vietname, Zâmbia
Data 8 de Março
Observações: Relembra as lutas sociais, políticas e econômicas das mulheres.


From Wikipédia

Em Moçambique teremos o dia da Mulher Moçambicana, feriado nacional oficial que é celebrado a 7 de Abril que assinala o aniversário da morte de Josina Machel, segunda esposa de Samora Machel, o primeiro Presidente de Moçambique. Josina também se juntou à Luta Armada de Libertação Nacional. É considerada uma heroína por estas bandas!


Estamos juntos!
João


domingo, 6 de março de 2011

Pensamentos...

A vida é curta demais para se acordar com arrependimentos. Ama as pessoas que te tratam bem. Esquece aquelas que não. A vida coloca cada um no seu lugar. Tudo vai e vem por uma razão. Se tens uma segunda oportunidade, agarra-a. Ninguém disse que a vida seria fácil. Só prometeu que iria valer a pena. Vive, deixa viver e sê feliz!

António Feio

terça-feira, 1 de março de 2011



Lines form on my face and hands.
Lines form from the ups and downs.
I'm in the middle without any plans.
I'm a boy and I'm a man.

I'm eighteen and I don't know what I want.
Eighteen. I just don't know what I want.
Eighteen. I gotta get away.
I gotta get out of this place.
I'll go runnin in outer space. Oh yeah.

I got a baby's brain and an old man's heart.
Took eighteen years to get this far.
Don't always know what I'm talkin' about.
Feels like I'm livin' in the middle of doubt.

Cause I'm. Eighteen. I get confused every day.
Eighteen. I just don't know what to say.
Eighteen. I gotta get away

Lines form on my face and my hands.
Lines form on the left and right
I'm in the middle, the middle of life.
I'm a boy and I'm a man.
I'm eighteen and I Like it.
Yes I like it.
Oh I like it. Love it. Like it. Love it.
Eighteen! Eighteen! Eighteen! Eighteen and I Like it.


Alice Cooper - I'm Eighteen

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Dia dos Namorados??? Nahhhhhhhhh



Ontem foi dia dos namorados???
Trataram bem das vossas Valentinas e dos vossos Valentins?
Gastaram muito dinheiro com os vossos queridos???
Como vão passar o resto do ano???


Pensem!

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Vi os vossos comentários a pedir por mais!
Pouco há de novidades! Muito trabalho! e poucos passeios... andamos numa fase de descanso e a porta de casa ao domingo nem se abre! E como disse à Ana na semana passada, estamos bem! A Ana, a Miau e EU!



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Ontem festejei!
Festejei a Vida com amigos depois de um longo dia de trabalho nestas semanas que não tenho parado para nada!
A festa ontem foi outra!
Fez ontem 2 anos de Moçambique!
Fez ontem 2 anos de mozambique247!


Estamos bem!
Estamos vivos!
Estamos juntos!



(no pensamento a eventualidade de se criar um novo blog)

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Para obras... Temporariamente


Para obras... Temporariamente...
ou seja... não se sabe até quando...


Estamos juntos

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A operação da Miau

No final do mês de Outubro passamos por uma fase que não me agrada em nada - pós-operatórios de animais. A miau começou a ficar doente. Da sua vulva saiam pingos de sangue com pus.
Chamámos cá a casa uma veterinária (Mónica) que nos ajudou em todo este processo. A ela, deixo o meu obrigada!
A miau foi operada de urgência na faculdade de veterinária por um professor de lá e que me fez questão de mostrar tudo o que lhe tinha retirado.
Os ovários, útero e trompas estavam cheios de pus.
Disseram-me que isto era raro acontecer nas gatas, muito menos com a idade da Miau, sensivelmente um ano.
Foram complicados os primeiros 3 dias, pois ela, apesar de medicada, tremia de dores. Contudo foi muito bem acompanhada, tanto pelos profissionais que a atenderam como pela enfermeira de serviço, EU (AnaFilipa)!

Nesta foto coloquei-a de perna aberta para ver se a costura ficava arejada, não sei como é que ela se manteve assim durante um tempo, mas estava cheia de dores!
Na foto não dá para ver, mas os "barbeiros" é que deixaram muito a desejar. Comentei isso com a Mónica (veterinária) e ela disse que tinha reparado e que tinham feito um reparo relativamente a isso. O que o ajudante alegou foi que a máquina de tosquia tinha avariado e que tinham rapado a gata com lâmina.....o pobre bicho tinha a pele cheia de pequenos golpes. Além de ter andado a limpar a costura, ainda tive que andar a hidratar a pele dela, que estava cheia de pequenas crostas, e mesmo com o "funil", a comichão era tanta que ela conseguia chegar a uma parte da barriga.
Hoje está de saúde e de dieta, pois já não lhe posso deixar comida à descrição.....ESTÁ GORDA!

ESTAMOS JUNTOS, CHEIOS DE SAÚDE!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Saudade


Tenho saudades dos livros que não li
Tenho saudades das anedotas que nao ri
Tenho saudades das músicas que não ouvi...

Tenho saudades dos amigos!
Tenho saudades da família!


João
mesmo longe estamos juntos

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Natal e Passagem de Ano

Que venham os 700 Km e as 12 horas de viagem e haja boa disposição! É com este espírito que nos temos que fazer à estrada, mesmo que à saída de Maputo a policia (cinzentinhos = PSP) já nos estava a querer estragar os planos. Não têm autoridade para nos pedir a carta de condução mas insistem em fazê-lo (têm a mania que são policias de trânsito) e depois como uma pessoa lhes nega isso, vai de revistar o carro, que isso eles já podem. Ora! claro que tinha que arranjar um problema qualquer e desta vez era porque o carro era de passageiros e não de mercadoria (tínhamos o carro com os bancos rebatidos e cheio de coisas para a viagem). Depois de algumas contestações, lá seguimos viagem, ele deve ter entendido que daqui não levava nada!

Mais uma vez passámos o trópico de capricórnio e desta, resolvemos parar para fotografar.O Natal e a Passagem de Ano foram longe do nosso País e ambos experimentámos pela primeira vez estar longe da família nestas datas.
Fomos para Vilanculo (Vilankulo) com mais uns amigos e a respectiva família (parte dela).
A árvore de Natal, foi improvisada, com o que se pode arranjar!
Houve bacalhau e couves, para aqueles que possam estar a pensar que os pobres desgraçados em África ficaram sem mais esta tradição!







Natal passado e lá fomos nós ao arquipélago do Bazaruto. O João já com o fato vestido, para ir fazer mergulho! Está com cara de mau...ou será de medo. É que também existem tubarões nestas águas. Eles disseram (e confirmou-se) que eram "shark reef" - tubarão do recife/coral.


A viagem, neste barco com dois motores, demora uns 45 minutos. Além de nós, que éramos 5 adultos e 3 crianças, ainda foram mais 7 mergulhadores (turistas) e mais 4 pessoas da empresa que nos iria proporcionar esta maravilhosa experiência, dois deles eram os instrutores de mergulho e os outros eram os "marinheiros".




Quando a maré baixou,estávamos na ilha do Bazaruto e à frente apareceu um banco de areia (outra ilha), nadámos até lá e foi aí que tirámos esta foto! Estamos a fazer a coreografia da música Y M C A.





Esta era a paisagem que tínhamos quando subíamos a duna de areia que a ilha do Bazaruto tem. Se não olharmos para trás, enquanto se sobe a duna, de repente, parece que estamos no deserto! Aquele banco de areia é o tal que referi em cima.






O João a fazer o sinal "aquático" de "está tudo bem" e pouco depois lá se fez ao mar!









Algumas sinaléticas que usam de baixo de água, entre elas, aquela que o João está a fazer que significa Tubarão.
Estão acompanhados pela instrutora, a Cristina, uma italiana 5 estrelas!




João - Mergulhar é uma sensação que re-descobri passados 5 anos. Em Cabo Verde, onde, embora, a experiência magnífica de águas cristalinas, o serviço turístico permitiu-nos pouco tempo de mergulho, tendo terminado esse mergulho com bastante ar na garrafa. Em Vilankulos foi diferente. Cada mergulho teve no mínimo 40-45 minutos! E desta vez, por minha culpa!


PASSAGEM DE ANO
Esta foi a lua que nos acompanhou durante a noite de passagem de ano...com o passar das horas o sol foi começando a dar um ar da sua graça e a noite fez-se dia! Feliz 2011 para todos!
Foi uma experiência a repetir. Poder estar a dançar, sentir calor em vez do frio de Portugal, estar ao pé do mar, tomar banho nele nos primeiros minutos do ano....foi muito bom!



Este foi o nosso dia 1. Se pensam que mudámos de país, enganam-se. Alguém trouxe os desgraçados dos dromedários para estes lados, tudo pelo turismo!


ESTAMOS JUNTOS NAS PASSAGENS DOS ANOS

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Ontem, hoje e amanhã!

Olá!
Antes de tudo o avô Carolino era também o melhor amigo do meu pai. Não imagino como ele se está a sentir neste momento. Claro que muito do que sou foi construido pela familia, pelos amigos, por todos aqueles que durante estes anos andaram à minha volta. O Avo Carolino era uma pessoa especial, um amigo e um companheiro. Verdade seja dita que a vida que andava a levar nestes ultimos tempos tambem não pode ser chamada de vida... Acamado, alimentado por sonda e a soro... que vida é essa? Não é, é a resposta.
A distância sente-se sempre, tia! A distância vejo-a todos os dias... A distância mesmo na mesma cidade pode ser sentida. Lembro-me quando ia a tua casa e só precisava de subir dois lances de escadas... Hoje, apesar de estarmos a distancia de um clique não é a mesma coisa independentemente da frequencia com que possamos trocar emails.
Sinto falta de todos aí! A minha pouca vontade de visitar Portugal nao se prende com a falta de vontade de vos ver, porque essa vontade nao me falta! A distancia (mais uma vez) é gigante. O dinheiro que se gasta é como a distancia... MUITO.
Sei que para algumas pessoas esta minha atitude de vir para Moçambique é vista como um acto de cobardia de fugir da realidade de Portugal, de me afastar de quem gosto para sofrer menos (ou até para parecer menos perceptivel). Outros olham para mim com admiração por ter tido coragem de tomar este passo tao importante... Para mim foi um escape que me permite viver. Adoro estar aqui, posso fazer o que gosto mas nao tenho as pessoas que me acompanharam durante a minha vida.
A vida é assim mesmo... Somos criados no seio de uma familia para mais tarde tentarmos repetir esse mesmo ambiente. Claro que gostava de estar com todos voces!
Sinto saudades da Ana, sinto saudades da Ines, e claro que sinto saudades tuas...
Sinto saudades daqueles Natais de mesa cheia! Com o avo Fernando e a avó Julieta! onde eramos muitos e estavamos bem,.... Esse costume foi-se perdendo e com ele a vontade e o gosto de viver mais um Natal.
Este ano vai ser assim... Vou passar o natal com a Ana, e com uns amigos... e na praia.... Os amigos são a familia que nos escolhemos, certo?
Mas porque nao podemos ter sempre o que queremos?

É a vida...
e ontem perdi tambem um amigo!
Nao o perdi... ja tenho saudades dele e sei que em breve nao o volto a ver.
Onde estiver que esteja bem! Sem dores e com o humor que todos lhe reconheciamos.

Tenho saudades de todos
Do meu avo tambem!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010


Viciado!!!!

sábado, 25 de setembro de 2010

Ao vosso casamento!



Porque hoje é o teu dia!
Porque hoje é o vosso dia!
Porque hoje se casam!

Juntem-se ao clube!
Nós torcemos por vocês!

Nós gostamos muito de vocês e a voces brindamos!

Estamos juntos!
JH e AF

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Fim de semana


Um amigo escreveu:

"aqui à proa sou mais do que eu... sou um povo que quer o bar que é teu"
Neste fim de semana, algures entre Maputo e Madagáscar

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Ultimo post sobre as manifs



(cliquem para aumentar!)



Estamos juntos neste que espero ser o último post sobre este assunto!


JH

sábado, 11 de setembro de 2010

4 agentes da PRM desabafam sobre os acontecimentos de 1 e 2 de Setembro

Num depoimento emocionante, quatro agentes revelam com exclusividade ao @Verdade o enredo do 1 e 2 de Setembro, as ameaças aos jornalistas, as balas perdidas, as dificuldades da profissão, o “negócio” da escolta e a dor de disparar no rosto de um problema que também é o
deles: as manifestações contra o custo de vida…


João Sem Vontade*, com 7 anos na Polícia, foi um dos agentes da lei e ordem que reprimiu as manifestações populares de 1 de Setembro contra o custo de vida, mas nem por isso deixa de ser vítima da alta de preços de bens de primeira necessidade. “Um polícia recebe 3500 meticais e um saco de arroz de 50 quilos custa 1550”, afirma cabisbaixo. Obede Carlos*, funcionário da Polícia há dez anos, não fala do preço do arroz, mas diz que cortou, por conta do custo de vida, o sabão líquido das suas despesas mensais. O frigorífico, por exemplo, “já não funciona 24 horas porque a energia também subiu”.

Jacinto Jacinto*, com 13 anos na corporação, não sabe o que é comprar um saco de arroz de 50 quilos há cinco anos. “Compro o saco de 25 quilos porque se optar pelo de 50 fico sem dinheiro para o carvão, o açúcar e para o transporte”, diz.


Silvério Silvério*, há 16 anos na Polícia, concorda com Jacinto, mas acrescenta que “por este andar, em Dezembro trocaremos o saco de 25 quilos pelo de 10. O arroz sobe todos os dias”, desabafa.


Balas perdidas
“Aquelas pessoas manifestaram-se por nós (polícias) já que não podíamos estar no meio delas”, garante. A seguir mostra que a AKM é uma arma muito traiçoeira. “Um tiro para o ar pode, no caso de encontrar uma parede ou um objecto sólido, ganhar outra direcção e atingir uma pessoa mortalmente”, justifica João, numa alusão ao facto de, na sequência dos protestos, a opinião pública ter acusado, na generalidade, os polícias de ter atirado para matar. “O que não quer
dizer que os polícias tenham atirado em exclusivo para o ar. Houve colegas que dispararam para a população e até para pessoas indefesas”, comenta Silvério.


Na verdade, diz Jacinto Jacinto*, que trabalhou num dos pontos onde a manifestação popular foi mais violenta, Xiquelene, “a Polícia não tinha como conter os ânimos, os manifestantes atiraram pedras. O carro da terceira esquadra ficou sem o vidro traseiro. Alguns comandantes ficaram feridos. Não é verdade que usamos apenas balas de borracha. Em Xiquelene, por exemplo, o carro da Polícia não voltou por causa dos manifestantes. Voltou porque já não tinha balas, tanto reais como de borracha”, esclarece. O bairro do Jardim e Magoanine completam com Xiquelene o trio que elevou a violência aos níveis mais altos nos dias 1 e de Setembro. O bairro do Triunfo e Av. Acordos de Lusaka vêm na segunda divisão da violência.



No Xiquelene, por exemplo, para a Polícia chegar até a ponte que fica no fundo do mercado, na Av. Julius Nyerere, foi preciso a intervenção de uma coluna.



Morreram mais do que dizem
Depois dos protestos, os números oficiais contavam 13 mortos e 400 feridos, mas João não acredita. “Morreram mais pessoas, mas os dados não foram avançados.” Em alguns casos a Polícia foi negligente e Obede cita o que aconteceu no bairro Luís Cabral, onde um jovem foi
perseguido e atingido mortalmente com balas reais.


Polícia também é povo
“Trabalhamos 30 dias e o salário só dura três ou cinco”, diz e acrescenta: “Muitos dos que queimaram pneus e atiraram pedras fazem contas para chegar ao fim do mês.” Por isso, garante, “não é fácil estar por detrás da arma que dispara contra o povo. Até porque esse povo “é nossa imagem e semelhança”. Aliás, “quem não tem pão somos nós; quem reclama o custo de vida somos nós; o gás e o arroz subiram para o povo e, como deve calcular, com o salário do polícia não é possível não sentir os efeitos desse problema. Por isso, não é difícil concluir que, apesar do fardamento, também somos parte do povo.

Efectivamente, “é fácil condenar, mas antes é preciso compreender que, se fosse possível, estaríamos do lado dos que reclamavam pelo custo de vida. Bem no fundo, nós estávamos a torcer para que tudo desse certo”, refere. Na verdade, “disparar contra o povo foi um acto de dor”, afirma.

No entanto, as manifestações, no entender de João, não pararam por conta da acção da Polícia. O povo não se organizou para o efeito e as pessoas que estavam na rua vivem de pequenos biscates. “O dinheiro que fazem na rua serve para resolver problemas imediatos e, passados dois
dias, já não tinham o que comer e foi por isso que voltaram ao trabalho”, acredita.

Os agentes ouvidos pelo @Verdade concordam com as manifestações, desde que não sejam violentas. “Apoiaremos uma greve pacífica”, diz João Sem Vontade. “Se as pessoas cruzarem os braços e não fizerem nada, como os madgermanes, a Polícia não tem razões para reprimir esse tipo de greve”, acrescenta Obede Carlos.

O trauma
Quando Silvério entrou para a Polícia, jamais pensou que o preço do sonho de manter a ordem pública, cultivado por milhares de jovens moçambicanos como ele, se tornaria uma cicatriz, gravada para sempre na sua vida sob a forma de um trauma. “Não me consigo esquecer do
Hélio”, confessa. Estava no carro de onde saiu o tiro que o atingiu. Silvério só não diz quem disparou. “Éramos muitos e é difícil saber de quem foi o tiro nestas circunstâncias. No entanto, vou viver com a incerteza de ter sido meu. É uma marca me que vai perseguir até à cova. E o pior é que não era alguém que estava na manifestação. Soube pelos jornais que se tratava de um estudante. Como é que podes viver em paz quando as imagens mostram sangue e livros?” Acrescenta: “Talvez Hélio tivesse, um dia, a instrução que eu não tive.”

Uma profissão miserável

Obede Carlos fala abertamente sobre os perigos da profissão. “A Polícia não tem meios para reprimir o crime. Não temos protecção nenhuma e estamos à mercê dos malfeitores. Não temos subsídio de risco e o salário, já se sabe, é uma vergonha. Isto é uma profissão para sobreviver.” João não gosta do que faz e se pudesse arranjava outro trabalho, mas confessa que não tem “outro modo de vida”. Silvério é ainda mais contundente: “Se eu morrer a minha família fica na maior desgraça.”

Silvério diz que a situação melhorou mas reconhece que os meios não são os mais adequados. “Actualmente conseguimos cobrir a cidade por causa das viaturas, mas não é normal o polícia fazer 24 horas de serviço, sem descanso e refeição.

Como não é possível regressar aos nossos lares para passar as refeições, temos de gastar o nosso dinheiro para nos alimentarmos. Nestes dias temos direito a alimentação, mas é só por conta das
manifestações”, revela João. Depois disto, “o luxo vai acabar.”

Segundo as nossas fontes, alguns membros da corporação trabalharam mais do que 72 horas. Obede, com o dedo em riste, diz que é um deles. “Trabalhei terça, quarta, quinta”. Jacinto afirma que “o polícia, por norma, trabalha 24 horas, mas mesmo isso é desumano. Ninguém trabalha 24 horas”. No entender de João, isso é escravatura. Aliás, algumas mortes podem ser explicadas pelo cansaço dos homens da lei. “Olha para o caso de Obede quando enfrentou a população já tinha mais de 24 horas. Que discernimento é que ele tinha para lidar com a situação?”

Andar com arma é um risco

Apesar de reconhecerem que os polícias não têm meios para a sua defesa pessoal julgam que “não ter arma é uma protecção. Quando as pessoas sabem que tens uma arma perseguem-te e corres o risco de ser assassinado, mas o pior é quando te roubam a arma. Como justificas?

* Nomes fictícios

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

"O que o AMOR e amizade podem fazer, tantas vidas poderia salvar, quantos e quantos suicídios se podiam evitar com um pequeno RECONHECIMENTO.

As coisas mais simples são as que fazem a diferença...

QUEM VOCÊS SÃO FAZ A DIFERENÇA !"

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Ensaio: A idade do fado

Ensaio por JH

Que idade tem o fado?
A resposta é simples! 28! O fado tem vinte e oito anos! Foi este o tempo que o demorei a descobrir. Foi o tempo que precisei para o apreciar. Talvez movido pela distância, talvez pelos fados que tenho ouvido que a AF tão gentilmente me faz ouvir nos nossos passeios de carro por terras tão distantes.

Quando sentimos o fado, ouvindo-o, puxamos sempre para alguns sentimentos, cada verso é sentido de forma diferente de pessoa para pessoa.

Posso ter despertado tarde para o fado. Fado esse que não é mais que a expressão mais conhecida (internacionalmente) da musica portuguesa, reconhecida em todo o mundo. O fado traz-nos a tristeza e alegria através do canto!

Hoje quero partilhar convosco a minha interpretação de um fado, escrito em Moçambique, um dos fados mais conhecidos mundialmente, com certeza.... uma casa portuguesa.

(a azul estará a minha interpretação e porque gosto tanto deste fado)

Numa casa portuguesa fica bem
pão e vinho sobre a mesa.
Quando à porta humildemente bate alguém,
senta-se à mesa co'a gente.
Fica bem essa fraqueza, fica bem,
que o povo nunca a desmente.
A alegria da pobreza
está nesta grande riqueza
de dar, e ficar contente.
(assim gostaria de ser recebido! Assim vejo as minhas chegadas a Portugal, onde sempre cabe mais um/dois à mesa para partilhar aquilo que se tem e o que não se tem!)



Quatro paredes caiadas,
(as paredes das "nossas" casas!)

um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
(imagem típica de Portugal.... saudadessss)

sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
(os braços da família e dos amigos! Os braços, que sabemos, que estarão sempre à nossa espera)

É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!

No conforto pobrezinho do meu lar,
há fartura de carinho.
A cortina da janela e o luar,
mais o sol que gosta dela...
Basta pouco, poucochinho p'ra alegrar
uma existência singela...
É só amor, pão e vinho
e um caldo verde, verdinho
a fumegar na tigela.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!

(Que saudades de Portugal, que saudades do que é "nosso"!)



Estamos juntos pelos caminhos do fado!
Vou tentar "escutar", e logo interpretar, todo e qualquer fado que me "toque" e partilhar com vocês!
Embora tenha a certeza que muito mais haveria por dizer, quero vos dizer que sempre que oiço este fado, a minha cabeça viaja para Portugal! Se não estiver a conduzir, fecho os olhos, e viajo para Portugal! Para perto de vocês! Para perto do que é nosso!
Que saudades de todos vocês! Que saudades!

Mas tenho a impressão, que se tivesse em Portugal não ouviria com estes ouvidos os fados da mesma maneira! Seria mais uma cançao!

Mas, lembro logo outro fado docinho...

Tudo isto existe
Tudo isto é triste
Tudo isto é fado


Estamos juntos o que é tão bom, apesar desta distância que nem sempre torna fácil matar saudades!!!


JH

terça-feira, 7 de setembro de 2010

E a vida regressa à normalidade

Olá!
Depois dos últimos dias com notícias que chegaram a Portugal e a outros cantos da Europa, Moçambique volta à tranquilidade.
Hoje, 7 de Setembro, em Moçambique assinaça-se o dia em Homenagem à assinatura dos Acordos de Lusaka. Chamam o dia da vitória.

Já deu para passear, como um feriado normal. Pouco trânsito e as pessoas parecem ja ter esquecido o que sucedeu há dias.

Ontem regressei à normalidade.
Regressei à escola. Alunos havia poucos! Na minha turma havia 11 alunos dos 22 existentes na lista da turma. Calculei logo que isso acontecesse! Os pais ou sentiam ainda alguma insegurança ou aproveitaram o feriado de hoje para ir passear. Não sei! Mas uma das duas causou os poucos alunos que tive num tardio primeiro dia de aulas.

Os alunos estão grandes! Não me recordo de ter assinado a autorização para que continuassem a crescer! Vê-se uma grande diferença!

Fiquei contente de estar com eles de novo!

É tão bom estar de volta!

JH